Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2017 | Ano 13 | Nº 580
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CPES promoveu debate sobre Finanças Comportamentais

Evento foi promovido pelo CPES, no dia 23 de outubro, no Rio de Janeiro (RJ)

  • O professor e doutor em Atuária, Eduardo Fraga. | Fotos: Fernanda Oliveira
  • O mestre e doutor em Finanças, Claudio Henrique Barbedo.
  • O professor e doutor em Atuária, Eduardo Fraga. | Fotos: Fernanda Oliveira
  • O mestre e doutor em Finanças, Claudio Henrique Barbedo.

“Vivemos um ambiente de mudanças no campo previdenciário. Cada vez mais as pessoas têm responsabilidade na tomada de decisões e, nesse momento, elas cometem alguns vícios”. A reflexão foi feita pelo professor e doutor em Atuária, Eduardo Fraga, que abriu o seminário “Resgates em Fundos de Previdência: Avaliação sob a Ótica das Finanças Comportamentais”. O evento foi promovido pelo Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros, no dia 23 de outubro, no Rio de Janeiro (RJ).
 
O seminário tinha como objetivo identificar a influência de características de planos de previdência no comportamento de resgate do investidor. Durante o primeiro painel, “Aplicações de Finanças Comportamentais em Previdência”, Fraga apresentou o conceito de “Racionalidade Limitada”, que mostra que os indivíduos seguem duas abordagens na hora da tomada de decisões: a normativa e a descritiva. “A abordagem normativa é como o indivíduo racional toma a decisão, está ligada à aversão a riscos e ao conceito de utilidade, o que lhe causa bem-estar. Já a abordagem descritiva é como as pessoas, de fato, tomam decisões, está relacionada com a percepção do problema”, esclareceu o professor.
 
A percepção do problema tem a ver com a forma como ele é colocado e a tomada de decisões é ancorada em pontos de referência. Assim, se a ancoragem é feita sob o ponto de vista dos ganhos, a pessoa se torna avessa aos riscos. Do contrário, se a ancoragem aborda o ponto de vista das perdas, o indivíduo se torna amante dos riscos. “A forma como o problema é colocado impacta diretamente a decisão final”, afirmou Fraga.
 
O doutor em Atuária abordou, ainda, o conceito de “Contabilidade Mental”, que está relacionado com operações mentais relativas a finanças pessoais. “Percebemos o dinheiro de formas diferentes e o categorizamos relacionando-o com a sua origem, onde é mantido e como é gasto”, explicou. Há ainda, segundo Fraga, uma divisão entre dinheiro antigo e novo. “Pesquisas indicaram que as pessoas não realocam o dinheiro antigo por medo de uma performance pior. Portanto, a tendência é realocar o dinheiro mais novo”, concluiu.
 
Ações baseadas em emoções
 
O segundo painel, “Resgates em Fundos de Previdência: Avaliação sob a Ótica das Finanças Comportamentais”, foi conduzido pelo mestre e doutor em Finanças, Claudio Henrique Barbedo, que analisou os motivos que levam os participantes de planos de previdência ao resgate total ou parcial de seus recursos. A análise foi feita com base na relação entre o resgate dos fundos com as características dos planos.
 
Para tal, Barbedo utilizou o conceito de “Aversão Míope a Perdas”. A máxima está relacionada com a maior sensibilidade a reduções do que a aumentos nos níveis de bem-estar dos indivíduos, com uma tendência de avaliar resultados frequentemente. “Investidores que costumam verificar seus investimentos de forma mais regular tendem a ser mais avessos a riscos”, explicou.
 
De acordo com o palestrante, as Finanças Comportamentais permitem entender o homem como um indivíduo cujas ações e decisões sofrem influência de emoções e erros cognitivos. “Os erros cognitivos são como ilusões de ótica, estão baseados em intuições e provocam diferentes formas de análise do problema”, comparou.
 
Após os debates, os acadêmicos concluíram que, quando o participante tem mais autonomia e é o único responsável pelo custeio de seu plano, a frequência de envio de extratos está diretamente ligada à sua decisão de resgate nos planos de modalidade composto. Este fenômeno acontece com os produtos oriundos do canal individual.